18º Rali do México 8 / 11 Março

Os C3 WRC no Topo do Mundo

Depois do frio glaciar do Rali da Suécia, onde a Citroën Total Abu Dhabi WRT alcançou o seu primeiro pódio do ano, o Campeonato do Mundo de Ralis atravessa o Atlântico para encontrar temperaturas mais amenas e as altitudes do México, palco da terceira prova da temporada. Um evento que marca o regresso tão aguardado à modalidade da dupla Sébastien Loeb/Daniel Elena, que alinha ao lado de Kris Meeke/Paul Nagle, ambos com o objetivo de confirmar o bom arranque da temporada.

UMA DUPLA EXPERIENTE
Nada pode substituir a experiência no terreno e isso é especialmente verdade para o Rali do México. A combinação dos efeitos da altitude a que se disputa esta prova com as habituais temperaturas estivais provocam restrições mecânicas fora do comum. Estas especificidades são, neste momento, difíceis de replicar na Europa, levando a que as equipas acumulem milhares de quilómetros para poder desempenhar papéis de protagonismo.
Com 7 vitórias nesta prova, num total de 13 edições pontuáveis para o WRC, o Citroën Total Abu Dhabi WRT tem a experiência necessária para alcançar uma boa prestação nesta que é a terceira prova da presente temporada e a primeira em pisos de terra. Muito em especial porque, para o efeito, reúne as duplas Kris Meeke/Paul Nagle, vencedores da edição do ano passado deste rali, e Sébastien Loeb/Daniel Elena, dupla que conta com seis vitórias no México (em 2006, 2007, 2008, 2010, 2011 e 2012).
No que se refere a Kris Meeke, se inicialmente beneficiou da sua ordem de partida para assumir o comando da prova de 2017, depois o britânico fez ainda melhor, resistindo aos ataques repetidos do então quíntuplo Campeão do Mundo, oferecendo uma merecida primeira vitória ao WRC C3, apesar de um susto nos últimos metros do rali. A dupla sabe que pode ser competitiva nesta prova e por isso têm esperanças de conseguir um bom resultado, confirmando o início de temporada bem sucedido.

A situação será um pouco diferente para Sébastien Loeb, piloto francês que aos 44 anos regressa à modalidade, num miniprograma que conta com dois outros eventos (Volta à Córsega e Rali da Catalunha/Espanha) com a formação em que se estreou nos ralis. A sua última participação numa prova do WRC remonta ao Rali de Monte Carlo 2015 e a sua última temporada completa data de 2012, podendo faltar algum ritmo competitivo ao nónuplo Campeão do Mundo de Ralis. Pese embora Loeb se tenha mantido sempre particularmente ativo no desporto automóvel, faltar-lhe-á algum conhecimento das especiais, bem como desta nova geração de carros do WRC, numa altura em que irá enfrentar uma concorrência ainda mais cerrada. Mas seu talento natural é tal que ele também pode surpreender nestas especiais que são tão do seu agrado.

ESCOLHA DE PNEUS É DETERMINANTE
As especiais locais são conhecidas pela sua variedade, pela possibilidade que oferecem às equipas de se exprimir na totalidade, mas também pelos bailes que se veem obrigados a realizar sobre o terreno desgastado, fruto das múltiplas passagens pelos troços. Daí a importância de se ser bem-sucedido logo desde o primeiro dia, sendo que, para isso, a escolha de pneus pode ser determinante.
Com um menor desgaste face ao habitual devido aos troços com bastante areia e à menor potência disponível nos motores dos carros, surge muitas vezes uma questão relacionada com o calor, havendo que decidir que pneus usar: se as borrachas duras da Michelin ou os seus compostos mais macios. Uma dificuldade adicional para um evento já repleto de imponderáveis.

O QUE ELES DISSERAM…
Pierre Budar, Diretor da Citroën Racing: “O objetivo será manter o ritmo alcançado na Suécia, num terreno com que estamos bastante familiarizados em termos das suas especificidades e onde, no ano passado, o C3 WRC alcançou a primeira vitória da sua carreira. Mas também sabemos que esta primeira prova da temporada em pisos de terra é incomum, principalmente devido à altitude, e que tudo pode mudar de um segundo para o outro. O Kris está à vontade, demonstrou-o em 2017 e vai arrancar para o rali numa boa posição, que lhe permitirá ter, de novo, uma excelente prestação. Por fim, estou muito satisfeito com o regresso do Sébastian e do Daniel que, embora tenham alguma falta de ritmo em comparação com os adversários, vão demonstrar o profissionalismo e determinação de sempre, na esperança de alcançar um bom resultado. Com o Kris e o Paul eles irão formar um invejável quarteto de experiência."

Kris Meeke: “O México é, tal como a Catalunha, uma das provas de terra onde fomos muito competitivos no ano passado, superfície onde o C3 WRC tem vindo a ser melhorado desde então, pelo que espero que possamos ser um dos protagonistas. Muitos dos nossos rivais tiveram, no ano passado, problemas de fiabilidade relacionados com a altitude e de certeza de que, desta vez, vão estar melhor preparados. É, em todo o caso, um terreno que gosto muito: dado que não podemos contar com a totalidade da potência, há que ter uma condução o mais limpa quanto possível. Também estou bastante satisfeito com os resultados dos nossos testes mais recentes, onde fizemos alguns progressos, nomeadamente nas suspensões em colaboração com a Öhlins, resultados entretanto confirmados pelo Sébastien. Vou então ter de tirar o melhor partido da nossa 7ª posição na estrada no primeiro dia, naquela que será uma das bases para alcançar um bom resultado.”
Nº de participações na prova: 3 / Melhor resultado: 1º lugar (2017)

Sébastien Loeb: “Espero conseguir divertir-me nestas especiais de que sempre gostei muito ao volante do C3 WRC, carro que me entusiasma muito em termos de condução. Quanto ao resto, tenho as mesmas dúvidas que todos têm: espero conseguir evoluir num bom ritmo mas não sei onde me situo em relação aos outros pilotos pelo que estou ansioso por começar. No entanto, estou ciente de que estou num Campeonato do Mundo e que os restantes pilotos não estiveram à minha espera durante todos estes anos. De qualquer forma, estou satisfeito com os testes realizados, tendo cumprido cerca de 500 quilómetros nos dois dias em que guiei um C3 WRC bem equilibrado e que está bastante melhor do que a unidade que conduzi no final de 2017. Tentei munir-me de todas as ferramentas, fazendo um rali ao volante de um DS 3 WRC para encontrar os automatismos e também assistindo a vídeos de edições anteriores da prova. Vou descobrir 28% do percurso, enquanto que apenas 4% é novidade para os outros, algo que ainda assim é bastante positivo pois é um dos ralis de que mais me recordo. Contudo, as memórias dos 72% de que me lembro remontam há seis anos, pelo trabalhei muito para não entrar para a prova completamente desorientado. Espero que a minha ordem de partida na sexta-feira – serei o 11º na estrada – me ajude a recuperar as orientações, pois com o atual regulamento, há que se ser bem sucedido no primeiro dia para não comprometer o resto da prova.”
Nº de participações na prova: 8 / Melhores resultados: 1º lugar (2006, 2007, 2008, 2010, 2011, 2012)

OS NÚMEROS CHAVE DO RALI DO MÉXICO
 22 Especiais nesta edição, totalizando 344,49 km cronometrados
 2.737 metros de altitude no ponto mais elevado da prova, contra 1.786 metros em Leon, centro nevrálgico do rali
 7 sucessos da Citroën no Rali do México: 6 da dupla Loeb/Elena nas edições de 2006 (Xsara WRC), 2007, 2008 e 2010 (C4 WRC), 2011 e 2012 (DS 3 WRC) e Meeke/Nagle em 2017 (C3 WRC)
 10% de perda de potência a cada 1.000 metros de altitude

UM RALI, UM DESAFIO
A influência da altitude
Disputado a uma altitude média de 2.200 metros, que culmina nuns expressivos 2.737 metros, e com temperaturas na ordem dos 25oC, o Rali do México é um desafio como nenhum outro, colocando à prova a fiabilidade dos conjuntos.
Nestas condições, a escassez de oxigénio requer que se preste especial atenção à refrigeração dos motores, mas também dos componentes hidráulicos ou dos travões, jogando com os volumes dos radiadores que são usados. Outro efeito prejudicial está relacionado com a perda de energia, que os pilotos tentam gerir de um ano para o outro, otimizando as cartografias dos motores durante sessões de treinos realizadas em altitude e no banco de motores. Também porque nesta época do ano, os testes realizados no continente europeu, tendo bases acima dos 2.000 metros de altitude, são feitos sob temperaturas muitas vezes negativas.

OS SEGREDOS DA CITROËN
Daniel Grataloup, Coordenador Desportivo da Equipa, recorda…
"Lembro-me da última especial particularmente agitada do Kris em 2017: há, muitas vezes, uma pequena diferença entre as imagens da televisão e a realidade das coisas, pelo que prefiro seguir a ação com os olhos colocados nos ecrãs do ‘tracking’ e dos tempos. Mas eis que, de repente, ouço a equipa ao meu redor lançar-se num grito e a primeira imagem que eu vejo é a câmara exterior do carro encher-se de pó, como se o carro tivesse capotado. Por momentos pensei que tudo tinha acabado, mas logo de seguida vejo o Kris a tentar encontrar um caminho por entre os carros daquele parque de estacionamento público, para depois ser dominado por um sentimento totalmente oposto, de autêntico deslumbre quando, finalmente, o vejo conseguir atingir o final do troço, com tempo ainda suficiente para garantir a vitória! Foi uma montanha russa de emoções, tendo também ficado com lágrimas nos olhos, especialmente pelo modo como este sucesso nos era oportuno face a um início de temporada difícil. Devo dizer que sou um coração mole, mas de qualquer modo o Kris foi o piloto que, decerto, me proporcionou as emoções mais intensas desta minha segunda temporada, isto depois de também me ter feito chorar aquando da sua vitória na Finlândia, em 2016.”

PROGRAMA DO RALI DO MÉXICO
(Nota: UTC -6; menos 6 horas do que em Portugal Continental)

DIA 1 - QUINTA-FEIRA, 8 MARÇO
09h00: Shakedown (Llano Grande)
18h15: Partida Dia 1 (Leon)
20h08: ES 1 – Monster Street Stage GTO (2,53 km)
21h38: Chegada Dia 1

DIA 2 - SEXTA-FEIRA, 9 MARÇO

09h30: Partida Dia 2 e Assistência A (Leon – 15')
10h33: ES 2 – Duarte/Derramadero 1 (26,05 km)
11h21: ES 3 – El Chocolate 1 (31,44 km)
12h14: ES 4 – Ortega 1 (17,23 km)
14h02: ES 5 – Street Stage Leon 1 (1,11 km)
14h42: Assistência B (Leon – 30')
16h00: ES 6 – Duarte/Derramadero 2 (26,05 km)
16h48: ES 7 – El Chocolate 2 (31,44 km)
17h41: ES 8 – Ortega 2 (17,23 km)
20h06: ES 9 – Autodromo de Leon 1 (2,30 km)
20h11: ES 10 - Autodromo de Leon 2 (2,30 km)
21h26: Assistência Flexi C (Leon – 45')

DIA 3 - SÁBADO, 10 MARÇO

07h30: Partida Dia 3 e Assistência D (Leon – 15')
08h33: ES 11 – Guanajuatito 1 (30,97 km)
10h11: ES 12 – Otates 1 (26,37 km)
11h08: ES 13 – El Brinco 1 (9,98 km)
12h48: Assistência E (Leon – 30')
14h21: ES 14 – Guanajuatito 2 (30,97 km)
15h54: ES 15 – Otates 2 (26,37 km)
16h38: ES 16 – El Brinco 2 (9,98 km)
17h38: ES 17 – Autodromo de Leon 3 (2,30 km)
17h43: ES 18 – Autodromo de Leon 4 (2,30 km)
18h33: Assistência Flexi F (Leon – 45')
20h26: ES 19 – Street Stage Leon 2 (1,11 km))

DIA 4 - DOMINGO, 11 MARÇO
07h15: Partida Dia 4 e Assistência G (Leon – 15’)
08h18: ES 20 – Alfaro (24,32 km)
10h08: ES 21 – Las Minas 1 (11,07 km)
12h18: ES 22 – Las Minas 2 (11,07 km) - Power Stage
13h53: Assistência H (Leon – 10’)
14h30: Pódio Final (Leon)


Fonte: Jorge Magalhães

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