1º Passeio TT Mafra – Reguengos de Monsaraz

De que côr é o barro?  

Esta podia ser a pergunta a fazer a dois Municípios que unidos pela arte de trabalhar o barro, apoiaram mais uma iniciativa da Prolama Aventura. O todo-o-terreno não se extingue na competição, e a vertente escolhida pelos promotores deste primeiro grande passeio que cruzou transversalmente Portugal, foi alicerçada em valores culturais, paisagísticos e gastronómicos, levando a aventura e “arte” de viajar fora de estrada a um nível pouco visto. Foi assim durante dois dias, que cerca de 45 viaturas avançarem de Mafra até Reguengos de Monsaraz, por caminhos pouco trilhados.

Desde cedo que se percebeu que este era um passeio TT diferente, e com um leque de participantes diversificado; provavelmente porque a ideia inicial de fazer a travessia do País da costa “saloia” até á linha fronteiriça da Barragem do Alqueva, era igualmente ambiciosa.

Mafra em seu esplendor recebeu pela madrugada os primeiros aventureiros, que depois das formalidades, foram presenteados pelo Município Mafrense com um recheado pequeno-almoço, no não menos exuberante Refeitório dos Frades, em pleno Convento de Mafra. Este seria realmente um passeio cheio de surpresas e virado para aspectos pouco tratados em passeios de fim de semana. Com o presidente da edilidade local a dar a partida simbólica ao seu congénere de Reguengos de Monsaraz, a caravana avançou por entre castanheiros centenários num postal só possível na Tapada Militar. A cortesia desta premissa por parte do exército português, deu origem ao interesse na visita a outra obra militar; o forte do Alqueidão em pleno concelho do Sobral de Monte Agraço, onde vincadamente se nota a presença das linhas defensivas do tempo napoleónico. Rapidamente ficaram para trás Arruda dos Vinhos, Alenquer e os campos de cultura do tomate do Ribatejo. A travessia do maior rio nacional, o Tejo, foi feita pela ponte D. Amélia, contruída em 1904 com 860 metros de extensão para utilização ferroviária e posteriormente transformada em 2001 para tabuleiro de asfalto, com tráfego alternado.

Surgiram os primeiros montados e os estradões de Coruche, a caminho do Couço. O pó marcou presença e foi um adversário difícil de ultrapassar. As planícies sucederam-se com o Parque de merendas do Pinhal, em Cabeção a servir de base á primeira paragem dos participantes. A descrição dos primeiros furos, e outras estórias deram o mote para as primeiras partilhas gastronómicas, tornando-se necessário o apelo para prosseguir em direcção ao Fluviário de Mora e à passagem mítica no Açude do Gameiro. A seguir aparecem os primeiros parques arqueológicos e os cromeleques sucederam-se com imagens únicas. Finalmente entramos no Alentejo, e a quantidade de manifestações megalíticas aumentaram, dando motivos para fotos que vão prepectuar este primeiro TT Mafra-Reguengos.


Serpenteando por entre montados, abrindo e fechando porteiras, deixando um rasto de poeira, estes veículos da era moderna foram conquistando terreno a cada hora. Pelas comunicações da Organização Prolama, escutam-se informações de alguns incidentes, quase todos relacionados com furos e com a entreajuda que foi proclamada no “briefing” matinal. A cidade de Évora começa a ficar sossegadamente parada no seu lugar, enquanto no horizonte o sol parece ameaçar despedir-se. Os quilómetros finais são duros, e com trilhos vincados pelos sulcos de máquinas agrícolas que há poucos dias terminaram as vindimas. Entramos finalmente em terras de Monsaraz, onde as vinhas e o rio Degebe, um afluente da margem direita do Guadiana, vão marcando a cadência dos primeiros, que ao atingir a meta na Herdadinha, têm como prémio uma prova dos melhores vinhos da Adega Ervideira. A eloquente apresentação da história da Adega e da forma como hoje a indústria do vinho é desenvolvida, foi tema para fechar um longo dia de aventuras e emoções.

Mas este fim de semana ainda não havia terminado, e ao amanhecer os cerca de 120 participantes envolvidos tinham que cumprir ainda mais 80 Km de trilhos essencialmente de vinhedo e de uma das mais antigas provas do nacional de Todo-o-Terreno, o Rali TT Reguengos; que tinham como destino uma recomendada passagem por entre as muralhas do Castelo de Monsaraz, e a saída pela deslumbrante porta da Alcoba, uma verdadeira varanda para o melhor postal da Barragem do Alqueva. Inesquecível a descida até á nova Praia Fluvial de Monsaraz, um local de rara beleza e paragem obrigatória para a caravana do 1º Mafra – Reguengos, e de todos os visitantes destas terras abençoadas pelo maior espelho de água da Europa.

…era inevitável, e a pergunta lançada no início desta prosa merecia uma resposta, e a verdadeira côr do barro foi finalmente desvendada a todos, numa visita guiada á Casa do Barro em S. Pedro do Corval. Ali o barro não tem segredo e as côres misturam-se entre o cru e o cozido; entre o ocre e o castanho, que depois de vidrado torna o resultado final alvo das invejas. Como é possível estes artistas moldarem a sua vontade num pedaço de barro? As olarias hoje já não são escolas, mas teimosamente continuam a defender o seu espaço, a sua criatividade e a sua existência como indústria cultural.

Este primeiro desafio dos dois municípios geminados pela associação portuguesa de cidades e vilas cerâmicas; Mafra e Reguengos de Monsaraz, não teria o seu epílogo, sem que todos participassem num almoço final nas instalações da CARMIM, onde foram distinguidos os que mais se destacaram nos desafios propostos pela Prolama, e sem presenciar o discurso final do Sr. Presidente da Camara Municipal de Reguengos que depois de participar activamente este ano, lançou o desafio final para que o Passeio de 2019 tenha um percurso inverso, com partida na cidade de Reguengos e chegada a Mafra.

Prolama / Fotos AIFA

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